| “Eu choro às vezes. Quer dizer, eu choro sempre, acho que eu choro todos os dias. Mas de quando em vez eu choro assim, como hoje. Eu choro, simplesmente. Choro de ficar com a boca quadrada, choro de sacudir o corpo, de abraçar os gatos com força e de matar o cachorro branco de angústia. Ele lambe meu rosto e chora baixinho e se assusta com os soluços. Choro porque é dor demais, é raiva demais. Amor demais. Choro porque é tudo tão grande e eu sou tão pequena. Porque tudo existe, porque não existe nada lá fora, nada, nada. Choro por medo, porque tenho muita coragem. Tenho tanta coragem, todos os dias.” “As galerias gostam do que pinto, mas não o suficiente para expor meus quadros, os agentes se encantam com meu estilo, mas não o suficiente para me representar e negociar meus trabalhos, os editores dos jornais e revistas gostam das minhas resenhas e artigos sobre história da arte, mas não o suficiente para me contratar para colunas pagas, minha melhor amiga gosta muito de mim, mas não o suficiente para me chamar para madrinha do filho dela. E sobre não ser bela, nem inteligente, nem bem-sucedida, nem “engraçadinha” o suficiente, na tabela de valores dos meus pais, não vamos nem falar. Primeiro, porque não vale a pena, e segundo, porque minha terapeuta proibiu.” |
terça-feira, 3 de maio de 2011
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